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Blog do Dennis Allan

Sejam compassivos

Por Dennis Allan

Uma música de Ringo Starr, ex-integrante do famoso conjunto “The Beatles”, inclui o refrão “Got to pay your dues if you wanna sing the blues”. Tradutores enfrentam a dificuldade de capturar o sentido. Acredito que o mais próximo seria: “Você precisa pagar o preço (passar por experiências difíceis) se quiser cantar o blues (falar de tristeza)”. Como acontece frequentemente, a música popular toca em um assunto prático, aplicável inclusive ao nosso serviço ao próximo.

Na psicologia, é comum encontrar distinções entre simpatia, empatia e compaixão. De forma simplificada, tipicamente fala-se de sentir pena por alguém (simpatia), participar da emoção do outro (empatia) e unir essas emoções ao desejo de aliviar a angústia do sofredor (compaixão). A palavra compaixão vem do latim e traz a ideia de sofrer com a outra pessoa.

As palavras usadas nos idiomas originais da Bíblia para comunicar o conceito da compaixão também eram fortes, sugerindo uma reação visceral ao sofrimento alheio. Enquanto nós pensamos no coração como fonte das emoções, os hebreus associavam os sentimentos intensos ao útero e os gregos, aos intestinos. Para eles, a compaixão se originava nas profundezas da pessoa.

Sabendo disso, Pedro nos instrui a demonstrarmos compaixão: “Finalmente, tenham todos o mesmo modo de pensar, sejam compassivos...” (1 Pedro 3:8). Paulo exorta: “...sejam bondosos e compassivos...” (Efésios 4:32).

Esse entendimento de que a compaixão une a empatia com o desejo de aliviar o sofrimento se revela perfeitamente em Jesus. Ele ensinou sobre a importância da compaixão – especialmente na parábola do “bom samaritano” (Lucas 10:33) – e mostrou essa atitude ao ver a dor humana (Mateus 9:35-36). Como escreveu Pedro: “Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando exemplo para que vocês sigam os seus passos” (1 Pedro 2:21). Ao apresentar Jesus como nosso intercessor, o autor de Hebreus conclui: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa se compadecer das nossas fraquezas; pelo contrário, ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Portanto, aproximemo-nos do trono da graça com confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça para ajuda em momento oportuno” (Hebreus 4:15-16).

Ecoando o sentimento do famoso cantor do século XX: Jesus passou por dificuldades e, por isso mesmo, mostrou-se plenamente capaz de compreender e carregar a nossa tristeza. Mostremos a mesma compaixão!

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