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Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental e Sul – Suíça: St.Moritz e Glacier Express

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

A Suíça encanta pelo seu cenário alpino espetacular, vales deslumbrantes, lagos serenos, elegantes hotéis e confortáveis hospedarias. Suas rodovias são excelentes, bem sinalizadas, com asseio, pontualidade nos transportes, respeito ao próximo e ordem. Seu povo consegue congregar diferentes etnias e grupos religiosos.

Saint Moritz: St. Moritz, localizado a 145 km de Zurique, atrai pela elegância e pela sua estação de esqui de primeira categoria. Lugar europeu muito badalado por socialites, nobres, políticos e estrelas de cinema. Isso tudo criou uma imagem de como sendo um lugar da moda. Mas, acima de tudo, é um lugar voltado para os esportes. Possui ótimas pistas de esqui nas suas montanhas, que são adequadas a praticantes de todos os níveis. Está localizada a 1 828 m de altura, onde a quantidade de neve pode ser muita. Nos últimos anos, pela variação de temperaturas, a camada branca não é mais tão espessa. Um teleférico, no centro, conduz até o monte Piz Corvatsch, quase a 3 350m acima do nível do mar e com 350 km de pistas. Além do esqui, há uma corrida considerada perigosa – Corrida de Cresta – inventada pelos ingleses. Inclui trenós e tobogãs, onde as mulheres não são admitidas.

São Maurício: é o significado do nome St. Moritz, em alemão. Mas, a localidade encontra-se no lado francês da Suíça e esta é a língua lá falada. No centro da cidade, numa colina, chama a atenção o belo Carlton Hotel St. Moritz. De bela arquitetura, branco, com telhado parecendo de chalé das montanhas, de alto padrão e onde acontecem eventos mundiais. Sua construção lembra um castelo com inúmeras reentrâncias e varandas. Antigamente, pertenceu ao Czar Nicolau II, da Rússia, como casa de veraneio. Mais tarde, recebeu um projeto do nosso Oscar Niemayer, que o atualizou. Em frente ao Hotel, sempre, encontram-se carruagens para passeios. É o local preferido dos famosos.

Em St. Moritz: a Via Serlas é onde estão as lojas de grifes, como Bulgari, Louis Vuitton e outras. Em alguns minutos, chega-se ao Jöhri’s Talvo, um restaurante de classe que oferece pratos da famosa gastronomia suíça. Está instalado numa charmosa casa de fazenda do século XVII, lembrando um antigo celeiro. Gosto de repetir que, na Europa, não derrubam casas ou edifícios antigos, mas os transformam em locais luxuosos. Não estivemos muito tempo em St. Moritz, porque o nosso objetivo era o de tomar o trem turístico. Mas, um belo “tour” nos permitiu conhecer muito.

Pelos trilhos do trem: já havíamos visitado muitas cidades e lugares da Suíça, um mais encantador que o outro. Estávamos partindo para outra inesquecível aventura. Na bela e confortável estação ferroviária de St. Moritz embarcamos no famoso trem vermelho – o Glacier Express – rumo a Zermatt. Ficamos num vagão reservado ao nosso grupo. Todo panorâmico, inclusive o teto envidraçado para melhor apreciação. Muito confortável, poltronas em couro e mesas de apoio.  Ele é o trem expresso mais vagaroso do mundo – é direto e luxuoso. Anda numa velocidade de 40km por hora para melhor apreciar. Sua locomotiva vermelha puxa seus vagões através do coração da Suíça oferecendo uma visão detalhada de cenários de tirar o fôlego. Muitas passagens são de parecer andando numa montanha-russa.

Um sonho de viagem: a composição deixa a estação exatamente às 10h, como programado. Não se podia esperar algo diferente, em um país, onde o atraso de cinco minutos levaria o maquinista, no alto-falante, pedir desculpas pelos transtornos. São oito horas de viagem até Zermatt, num montante de 290 quilômetros. O expresso lento passa por 291 pontes, viadutos de arcos, e 91 túneis. Alguns destes dão a impressão de encostar nas paredes. Quando a viagem começa, as primeiras imagens que aparecem na nossa janela confirmam tudo o que a Suíça é: chalés típicos adornam a paisagem em meio a vacas, com sinos no pescoço, que pastam nos campos verdejantes e com picos nevados ao fundo.     

Andando pelos alpes suíços: a ferrovia apresenta um cenário extraordinário. A paisagem muda a cada instante pois, desde os lagos transparentes às bucólicas encostas, o visual, colorido de outono, causa deslumbramento devido à magia da natureza. Em seu trajeto, o trem, que ostenta as cores da bandeira suíça, atravessa o desfiladeiro de Oberalp a dois mil metros de altura, o ponto mais alto dessa viagem. Com os vagões lotados, a beleza se descortina: a visão das montanhas esbranquiçadas pela neve forma um cenário raro, levando a multidão de turistas a tirar uma foto após outra. Bastaria apenas este momento para valer a viagem. O tempo estava claro, sol brilhando e perfeito para se deslumbrar e apreciar toda a viagem.

Conclusão: a viagem durando oito horas não foi cansativa. Todos animados e deslumbrados pelo que se apresentava no trajeto.  Um bom restaurante, no trem, servia almoço com pratos típicos suíços e variedade de lanches. O saboroso e inigualável “rôsti”, o tradicional prato de batata suíça, era o mais pedido. No meio da tarde, foi a vez de um gostoso chá acompanhado de doces tradicionais. A viagem continuava, pois o destino era Zermatt, onde finalizou a viagem de trem. Tudo iniciou em St. Moritz, a princesa dos resorts, onde as pessoas vão para serem vistas. Continuou com a mais badalada excursão ferroviária nos Alpes. Mas o sonho não acabou. Muito de deslumbramento ainda aconteceria.

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