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Opinião

Você precisa esperar um convite?

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Stephany Alberti
Por Stephany Alberti - Escritora/Biógrafa
Foto Stephany Alberti

Você precisa esperar um convite para enviar uma carta?

Precisa esperar que alguém peça para receber flores?

Precisa esperar uma ocasião especial para preparar uma mesa bonita para aqueles que você ama?

Precisa esperar alguém dizer que está com saudade para demonstrar que também sentiu?

Precisa esperar um convite para dizer: “eu amo você”?

Talvez tenhamos nos acostumado demais a esperar.

Esperar que alguém peça. Esperar que alguém diga. Esperar que alguém perceba. Esperar que alguém dê o primeiro passo.

E, enquanto esperamos, a vida continua acontecendo.

As pessoas mudam. As oportunidades passam. Os encontros terminam. Os ciclos se encerram.

E algumas coisas que poderiam ter sido feitas por nós acabam sendo feitas por outra pessoa — simplesmente porque ela decidiu não esperar.

Não estou falando sobre invadir o espaço de alguém.

Não estou falando sobre ultrapassar limites, desrespeitar decisões ou acreditar que podemos interferir na vida do outro porque “temos boas intenções”.

Não é sobre isso.

É sobre iniciativa.

É sobre perceber aquilo que não foi verbalizado.

É olhar para uma situação e se perguntar:

“Eu realmente preciso que alguém me diga o que fazer?”

Há uma diferença enorme entre respeitar o espaço do outro e viver esperando instruções para tudo.

Talvez ninguém vá pedir para você mandar aquela mensagem.

Talvez ninguém vá solicitar que você organize aquele encontro.

Talvez ninguém diga:

“Por favor, reconheça meu trabalho.”

“Por favor, me diga que acredita em mim.”

“Por favor, sente comigo e me escute.”

“Por favor, tenha essa ideia.”

“Por favor, resolva esse problema.”

“Por favor, dê o primeiro passo.”

Ainda assim, talvez seja exatamente isso que precisa ser feito.

Acredito que uma das capacidades mais importantes que podemos desenvolver é a de enxergar além daquilo que os nossos olhos conseguem mostrar imediatamente.

Porque muitas vezes aquilo que realmente importa não está explícito.

Está nos detalhes.

No silêncio.

Na expressão de alguém.

Naquilo que ninguém pediu porque talvez nem saiba como pedir.

Isso vale para os relacionamentos, mas também vale para a vida profissional.

Dentro de uma empresa, por exemplo, talvez ninguém lhe entregue um papel dizendo:

“A partir de hoje, quero que você seja protagonista.”

Talvez ninguém convide você formalmente para pensar diferente.

Talvez ninguém peça para você enxergar um problema antes que ele se torne um problema.

Talvez ninguém determine que você crie uma oportunidade onde aparentemente não existe nenhuma.

Mas é justamente aí que algumas pessoas começam a se diferenciar.

Enquanto algumas perguntam:

“O que eu preciso fazer?”

Outras observam e pensam:

“O que pode ser feito?”

Existe uma distância enorme entre essas duas perguntas.

A primeira espera orientação.

A segunda procura possibilidades.

E talvez seja disso que precisamos um pouco mais: discernimento para entender quando devemos respeitar, quando devemos esperar e, principalmente, quando devemos agir.

Nem toda atitude precisa de autorização.

Nem todo gesto precisa de uma ocasião especial.

Nem toda boa ideia precisa nascer de uma solicitação.

Nem todo sonho precisa da aprovação de alguém para começar.

Às vezes você simplesmente precisa preparar a mesa.

Enviar as flores.

Escrever a carta.

Fazer a ligação.

Apresentar a ideia.

Criar o projeto.

Dizer que ama.

Começar.

Porque a vida não distribui convites para tudo aquilo que vale a pena viver.

E talvez algumas das melhores coisas que você fará na sua vida aconteçam justamente no momento em que você parar de perguntar:

“Será que alguém vai me chamar?”

e começar a se perguntar:

“O que estou enxergando que ninguém precisou me pedir para fazer?”

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