O candidato do MDB ao governo do RS, Gabriel Souza, esteve neste domingo (13) em Erechim, onde participou de evento político e das comemorações pelo aniversário do prefeito Paulo Polis, realizado no CTG Sentinela da Querência. Durante entrevista coletiva, Souza apresentou propostas para diferentes áreas do Estado e buscou colar a imagem de continuidade do projeto iniciado pelo governador Eduardo Leite, mas com suas características,
Entre os principais compromissos anunciados está a ampliação dos investimentos na saúde. Gabriel Souza afirmou que, caso seja eleito, pretende aumentar em R$ 5 bilhões, ao longo dos quatro anos de governo, os recursos destinados ao SUS Gaúcho: “a medida tem como objetivo reduzir as filas para consultas, exames e procedimentos cirúrgicos”,
Frisou que o programa criado pelo atual governo já teria atendido mais de 107 mil pacientes no Estado, especialmente em áreas como ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia. “O primeiro ato que farei como governador de Estado, assim que sentar na cadeira, depois da eleição, é aumentar o recurso do SUS Gaúcho”, afirmou.
O candidato também falou sobre melhorais na estrutura regionalizada de saúde, com novos serviços de hemodiálise e oncologia, além de leitos de UTI neonatal, pediátrica e adulta. A proposta, segundo ele, é reduzir a necessidade de deslocamento dos pacientes para centros maiores.
Aeroporto de Erechim entra na pauta
Questionado sobre a situação do Aeroporto de Erechim, Gabriel Souza reconheceu a importância estratégica da estrutura para o desenvolvimento regional e afirmou que pretende atuar em parceria com a Prefeitura para buscar melhorias.
O candidato citou as iniciativas do prefeito Paulo Polis junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e lembrou a política estadual de incentivo à aviação regional por meio da redução da carga tributária sobre o querosene de aviação.
Gabriel disse que o RS avançou na oferta de voos regionais e que existe a necessidade de aeroportos estruturados para sustentar esse crescimento. “O aeroporto de Erechim é um aeroporto estratégico. Quero ser parceiro aqui da prefeitura para a gente poder entender como podemos ajudar aqui para viabilizar melhorias no nosso aeroporto”, salientou, caso seja eleito.
Além do aeroporto, o candidato também foi questionado sobre o Contorno Oeste de Erechim, ligação entre a BR-480 e a BR-211, apontada como alternativa para retirar o trânsito pesado da área central do município. Afirmou que pretende ser parceiro dos municípios do Alto Uruguai na busca por investimentos em infraestrutura.
“Não podemos admitir retrocessos”
Ao abordar a relação do Estado com os municípios, Gabriel Souza fez uma defesa do desempenho financeiro do governo Eduardo Leite e afirmou que a atual administração conseguiu recuperar a capacidade de investimento do RS.
Reconheceu que o Alto Uruguai historicamente sofreu com a falta de investimentos, especialmente por estar distante da Capital, mas que essa realidade começou a mudar nos últimos anos. Citou obras de pavimentação, conexões regionais e que a região concentrava o maior número de municípios sem acesso asfáltico no Estado, e superou esse problema.
Tom eleitoral
Em tom eleitoral, Gabriel afirmou que seus adversários defendem que o Estado pode avançar mais, mas argumentou que foi a atual gestão que criou as condições financeiras para isso: “Quem trabalhou para fazer com que o RS possa mais, fomos nós. Então, quem tirou o Estado da penúria financeira e conseguiu avançar tanto em várias áreas, vai viabilizar mais avanços”, pontuou.
Na avaliação do candidato, a eleição deve representar a continuidade desse processo “É daqui para melhor, é daqui para mais. Não podemos admitir retrocessos oriundos de eventuais aventuras. Por isso que me coloco como candidato a governador do Estado. ”
Ensino técnico terá 80 mil novas vagas
A falta de mão de obra qualificada também esteve entre os temas abordados na coletiva. Gabriel Souza apresentou o programa “Profissão na Mão”, que pretende criar, caso seja eleito, com 80 mil novas vagas de ensino técnico.
A proposta prevê aproximadamente 50 mil vagas no ensino médio em tempo integral, com formação técnica integrada ou concomitante, e outras 30 mil vagas por meio de parcerias com universidades e instituições do Sistema S.
O candidato citou especificamente a URI, em Erechim, e a UPF, em Passo Fundo, como instituições que poderão participar da oferta de cursos.
A ideia, segundo Souza, é fazer com que o estudante conclua o ensino médio já com uma formação profissional, de acordo com as características econômicas de cada região. Entre os exemplos citados estão cursos de logística, comércio, programação de jogos digitais, informática, inteligência artificial, biocombustíveis e energia renovável: “Quero que o jovem gaúcho, filho da Dona Maria, do Seu João, saia do ensino médio, da rede pública, com profissão. Uma dupla formação”, disse.
Propag e proteção ao produtor rural
Na área econômica, discorreu sobree a utilização dos recursos decorrentes da renegociação da dívida do Estado com a União, por meio do Propag, para financiar parte da expansão do ensino técnico. Para Gabriel essa mudança permitirá reduzir o custo financeiro da dívida estadual e direcionar recursos para novas políticas públicas.
O candidato também afirmou que pretende buscar a prorrogação do Funrigs, destinando recursos para a proteção das lavouras gaúchas. A agricultura, para Gabriel, é uma das áreas estratégicas para a retomada do crescimento econômico do Estado. Ele atribuiu parte das dificuldades enfrentadas pelo R nos últimos anos às estiagens recorrentes e sinaliza com a necessidade de uma forte expansão da irrigação.
A meta apresentada é elevar a área irrigada do Estado para aproximadamente 1,3 milhão de hectares, além de ampliar programas de manejo e recuperação do solo. Citou iniciativas como o Irriga Mais, Energia Forte no Campo e Operação Terra Forte como instrumentos que, na sua avaliação, precisam ser ampliados.
Candidato rejeita discurso de neutralidade
Um dos momentos mais políticos da coletiva ocorreu quando Gabriel Souza foi questionado sobre sua relação com os partidos e com o governo federal em caso de vitória.
O candidato rejeitou o discurso de neutralidade e afirmou ter posição definida na eleição presidencial. Disse apoiar Ronaldo Caia e manifestou o desejo de que ele chegue ao segundo turno.
Ao mesmo tempo, procurou destacar sua capacidade de diálogo com diferentes forças políticas em Brasília, independentemente de quem ocupar a Presidência da República. Segundo ele, um eventual alinhamento político contrário entre o governo estadual e o federal poderia criar obstáculos para o RS: “Comigo não tem esse bloqueio. Eu tenho condições de conversar com qualquer que seja e vou conseguir avançar nas pautas do Estado”, afirmou.
Gabriel utilizou sua experiência como vice-governador, presidente da Assembleia Legislativa e líder do governo no Parlamento para sustentar a tese de que possui capacidade de negociação com grupos políticos distintos.
Plano Rio Grande é argumento eleitoral
Outro eixo central da fala do candidato foi a reconstrução do Estado após os eventos climáticos que atingiram e continuam atingindo os gaúchos.
Afirmou que existem 240 ações do governo estadual em andamento ou concluídas dentro do Plano Rio Grande, envolvendo obras como desassoreamento, dragagem, drenagem urbana, pontes, rodovias, proteção de encostas, diques, comportas, estações de bombeamento e habitação.
Ao ser questionado sobre a prevenção para futuros eventos climáticos extremos, salientou conhecer os projetos e os gargalos burocráticos envolvidos na execução das obras. “Eu sou a opção mais segura para o eleitor que não quer ter atraso no cronograma dessas ações”, pontou.