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Saúde

Quando falar pode ser o primeiro passo para salvar uma vida

Rio Grande do Sul registra mais de 1,5 mil mortes por suicídio em um ano; em Erechim, taxa ficou acima da média estadual

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Por Da redação
Foto Ilustrativa

 O silêncio também pode ser um pedido de ajuda. Em meio à rotina acelerada, às cobranças, às perdas, às dificuldades financeiras, aos conflitos familiares e às dores que muitas vezes não aparecem aos olhos de quem está por perto, milhares de pessoas enfrentam diariamente batalhas emocionais que nem sempre conseguem compartilhar.

 É justamente para romper esse silêncio que o mês de setembro ganhou a cor amarela. No Rio Grande do Sul, os números ajudam a dimensionar a importância do debate. Dados da Secretaria Estadual da Saúde apontam que 1.528 pessoas morreram por suicídio no Estado em 2024.

A taxa foi de 14,87 mortes para cada 100 mil habitantes. Embora o número represente uma redução em relação às 1.651 mortes registradas em 2023, a Secretaria alerta que os dados de 2024 ainda estavam sujeitos a atualização.

 Mais preocupante ainda é perceber quem está morrendo. Dos óbitos registrados em 2024, 1.205 foram de homens, correspondendo a quase 79% do total. Entre as mulheres foram registradas 323 mortes.

 A série histórica revela que o problema não é recente. Entre 2015 e 2023, a taxa de mortalidade por suicídio no Rio Grande do Sul aumentou 47,7%, passando de 10,88 para 16,07 mortes por 100 mil habitantes.

Erechim também está dentro dessa realidade

 A situação merece atenção especial no Alto Uruguai. Segundo levantamento da Secretaria Estadual da Saúde referente a 2023, Erechim registrou 17 mortes por suicídio, alcançando uma taxa de 16,78 óbitos por 100 mil habitantes. O índice ficou acima da taxa estadual daquele ano, de 14,38 por 100 mil habitantes.

 Erechim apareceu, naquele levantamento, entre os 20 municípios gaúchos com mais de 50 mil habitantes que apresentaram as maiores taxas de mortalidade por suicídio. Por trás de cada registro existe uma história, uma família, amigos, colegas de trabalho e uma comunidade que sofre as consequências de uma perda que, muitas vezes, deixa perguntas sem respostas.

Um problema que exige mais do que uma campanha

O Setembro Amarelo nasceu justamente com a proposta de ampliar a conversa sobre saúde mental e prevenção do suicídio. No Brasil, a campanha é realizada desde 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina.

Mais recentemente, a própria campanha ganhou reconhecimento legal em âmbito nacional. A Lei Federal nº 15.199, de 2025, oficializou o Setembro Amarelo como campanha nacional de conscientização sobre a saúde mental e prevenção do suicídio.

Mas nenhuma lei, campanha ou cartaz substitui aquilo que talvez seja uma das formas mais simples — e mais importantes — de prevenção: prestar atenção.

Perguntar como alguém está. Perceber mudanças de comportamento. Escutar sem julgamento. Não minimizar uma dor. Incentivar a busca por ajuda profissional.

 Homens concentram quase quatro em cada cinco mortes. Os dados gaúchos também levantam uma questão que precisa ser discutida: por que os homens representam parcela tão elevada das mortes?

 Em 2024, quase quatro em cada cinco pessoas que morreram por suicídio no Estado eram homens. A diferença aparece também quando os dados são observados por idade. Entre os homens com 80 anos ou mais, a taxa chegou a 49,69 mortes por 100 mil habitantes.

 A realidade reforça a necessidade de políticas e estratégias que levem em consideração diferentes públicos e diferentes momentos da vida. Juventude, envelhecimento, isolamento social, perdas, conflitos familiares, sofrimento psicológico e mudanças profundas na vida são temas que precisam estar presentes na conversa cotidiana, e não apenas durante o mês de setembro.

Prevenção começa antes da crise

 O Setembro Amarelo não deve ser encarado como um mês para falar apenas sobre morte. Ao contrário. A essência da campanha está na valorização da vida. É criar espaços onde as pessoas possam falar antes que a dor se torne insuportável. É fortalecer a rede de atenção à saúde mental. É aproximar família, escola, comunidade e serviços de saúde. É entender que pedir ajuda não é sinal de fraqueza.

 No Rio Grande do Sul, onde historicamente as taxas de mortalidade por suicídio estão entre as mais elevadas do país, essa conversa precisa ser permanente. O próprio Estado mantém um Comitê de Promoção da Vida e Prevenção do Suicídio e desenvolve ações voltadas à prevenção.

 Em Erechim, os números de 2023 mostram que o município também precisa manter o tema na agenda pública. Porque, quando se fala em prevenção ao suicídio, o objetivo não é apenas reduzir uma estatística. É fazer com que alguém que esteja atravessando uma noite difícil encontre uma pessoa disposta a permanecer ao seu lado até que amanheça.

 

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