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Opinião

Tabuleiro

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Clovis Lumertz
Por Clóvis Lumertz – Empresário
Foto Clóvis Lumertz

E se descobríssemos que nossa vida é um grande tabuleiro?

E se, a cada amanhecer, recebêssemos um punhado de possibilidades nas mãos, lançássemos os dados e avançássemos algumas casas, no ritmo dos números impressos naqueles dados, sem garantias, sem saber o que nos espera depois da próxima curva? Às vezes, caímos em casas boas, aquelas que parecem acender uma luz dentro do peito.

Celebramos conquistas pequenas e imensas, colecionamos aprendizados, histórias, abraços e instantes que nos lembram por que vale a pena continuar. Outras vezes, paramos justamente nas casas que queríamos evitar. Encontramos perdas, frustrações, silêncios, despedidas e mudanças de rota. O chão parece desaparecer sob os pés. Ainda assim, em algum momento, respiramos fundo, juntamos os pedaços e lançamos os dados outra vez.

A vida não exige que estejamos sempre fortes. Ela apenas nos convida a não abandonar o jogo.

E se, ao completar cada volta, ganhássemos uma carta especial? Uma carta que nos permitisse pular algumas rodadas, descansar o coração, fechar os olhos por um instante e olhar para trás, não para lamentar o caminho, mas para reconhecer a distância que já percorremos.

Talvez essas cartas premiadas sejam as pessoas que encontramos pelo caminho. Os amigos que chegam como abrigo em dias de tempestade. Os clientes que se tornam parceiros de jornada. Os mestres que acendem lanternas quando tudo parece escuro. A família, com seus laços imperfeitos e indispensáveis. Pessoas que aparecem sem aviso e ocupam lugares que nem sabíamos que existiam dentro de nós.

E se, nesse imenso tabuleiro, os números lançados ao acaso nos conduzissem a encontros improváveis? Um amor que não estava nos planos, mas muda a paisagem inteira. Uma paixão que desperta partes adormecidas. Uma amizade que nasce de uma coincidência e permanece como uma certeza. Uma mexida que surge justamente quando já estávamos quase desistindo de esperar. Talvez seja isso que torne a vida tão fascinante: ela nunca revela todas as casinhas.

A vida é uma surpresa atrás da outra. A cada jogada, avançamos algumas casas. Algumas nos levam aos lugares que planejamos. Outras nos empurram para caminhos desconhecidos, onde precisamos aprender a caminhar sem saber exatamente para onde estamos indo. E talvez o mais bonito seja justamente não conhecer o fim do tabuleiro. Porque, se soubéssemos onde tudo termina, talvez não sentíssemos a mesma emoção ao lançar os dados.

Talvez não nos entregaríamos aos encontros, aos riscos, aos recomeços. Talvez deixássemos de perceber que, muitas vezes, a melhor parte da jornada acontece entre uma casa e outra.

O jogo não terminou. Então, viva e jogue mais uma vez.

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