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Saúde

Doação de órgãos transforma momento de despedida em nova oportunidade para até oito pessoas

Uma córnea doada devolve luz a quem aguarda por um transplante para ter mais qualidade de vida

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Leonel sentiu uma melhora significativa na visão, que ajudou a melhorar sua qualidade de vida para a
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Arquivo Pessoal/Leonel Estevão Smuk da Rocha

Neste domingo, 27, temos o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data que busca ampliar a conscientização sobre a importância de um gesto capaz de beneficiar diferentes pessoas. Um único doador pode salvar até oito vidas por meio da doação de órgãos e contribuir para a recuperação da qualidade de vida de outras pessoas com a doação de tecidos, como as córneas.

O Brasil é referência mundial em transplantes realizados pelo sistema público de saúde. O processo tem início com a identificação de um possível doador, geralmente um paciente com morte encefálica, condição confirmada conforme critérios médicos e legais. A partir disso, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) participa da avaliação do caso e do contato com os familiares.

A autorização da família é indispensável para a doação, mesmo quando a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de ser doadora. Por isso, conversar previamente com os familiares sobre essa vontade é uma das formas de contribuir para que a decisão seja conhecida e respeitada.

Córneas podem ser doadas após morte natural

No caso das córneas, não é necessário que o doador tenha tido morte encefálica, pois a retirada pode ocorrer também após morte natural, desde que seja respeitado o prazo de até seis horas após o óbito.

A córnea é a camada transparente localizada na parte anterior do olho e responsável pela passagem da luz e quando perde sua transparência, a visão pode ser comprometida. O transplante consiste na substituição do tecido afetado por uma córnea saudável de um doador falecido.

Após a autorização familiar, as córneas são encaminhadas ao Banco de Olhos, onde passam por exames para verificar condições como integridade, transparência e segurança. Somente os tecidos que atendem aos padrões estabelecidos são liberados para transplante e o material pode ser preservado por até 14 dias, permitindo sua distribuição conforme a fila única estadual.

Professor recebeu dois transplantes

Entre as doenças que podem levar à necessidade de um transplante de córnea está o ceratocone avançado. Foi essa a condição enfrentada pelo professor Leonel Estevão Smuk da Rocha, hoje com 49 anos.

Leonel usa óculos desde os oito anos e, durante a juventude, esperava realizar uma cirurgia que pudesse corrigir a miopia e o astigmatismo. Aos 20 anos, recebeu o diagnóstico de ceratocone e passou por diferentes tratamentos até os 23 anos, quando foi informado de que o transplante seria a alternativa para melhorar sua visão e qualidade de vida.

O primeiro transplante foi realizado aos 26 anos e o segundo, aos 29. “Minha reação ao saber da necessidade do transplante foi uma profunda tristeza, pois sabia que não poderia mais praticar os esportes de luta que eu tanto amava, a reação de um jovem quase sempre é difícil nesses casos”, explica.

As duas cirurgias foram realizadas em Porto Alegre, com acompanhamento do Banco de Olhos. Segundo Leonel, cada transplante demorou cerca de três anos para ocorrer. As cirurgias foram bem-sucedidas e a recuperação foi considerada boa. A melhora da visão ocorreu rapidamente, embora o procedimento não tenha corrigido a miopia e o astigmatismo.

“Minha visão melhorou bastante, consegui voltar a dirigir e um dos meus hobbies preferidos que é a leitura, começou a fluir bem melhor. Perdi algumas coisas e ganhei outras bem importantes”, coloca.

Experiência mudou percepção sobre a doação

A experiência com os transplantes também modificou a forma como Leonel passou a enxergar a doação de órgãos. Ele afirma que mantém o hábito de conversar sobre o tema e reconhece a importância dos doadores anônimos que possibilitaram sua recuperação.

Para quem recebe a indicação médica, o professor recomenda que o procedimento seja considerado sem receio. “Vai mudar tua vida para melhor, todos temos medo de mudanças e processos invasivos, mas os transplantes estão cada vez mais seguros e mudam a nossa vida”.

Leonel também manifesta o desejo de que seus próprios órgãos e tecidos sejam doados após sua morte, caso possam ser utilizados. “Esse é um apelo que faço a todas as pessoas, doem órgãos, você pode estar mudando para melhor a vida de outras pessoas, eu particularmente quando não estiver mais faço gosto que meus órgãos, que possam ser usados, sejam doados e façam a vida de outras pessoas melhorarem. E gostaria muito de ter conhecido as famílias para agradecer, essas pessoas em um momento de dor ajudaram a por luz na minha vida”.

A doação depende de uma decisão familiar tomada em um momento de perda, mas pode representar uma nova oportunidade para pessoas que aguardam por um transplante. “Doe órgãos, você está salvando e melhorando a qualidade de muitas vidas”, finaliza Leonel.

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