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Quem faz a Romaria acontecer

Cerca de 300 voluntários atuam em diferentes frentes durante a programação da 75ª Romaria de Nossa Senhora de Fátima

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Por Assessoria
Foto ASCOM

No cotidiano, Gilmara Pedroso é contadora. Maritânia Pavan é professora. Domingos Roque Pavan é administrador. Rafael Martini trabalha com inteligência de mercado e programação de produção. Letícia Kessler é bancária. São pessoas com profissões, famílias, compromissos e rotinas que continuam existindo quando o calendário marca outubro. Mas, quando chega a Romaria de Nossa Senhora de Fátima, em Erechim, por alguns dias essas vidas assumem outros ritmos. A contadora passa a acolher romeiros que chegam ao Santuário de Fátima. O administrador e a professora coordenam uma equipe responsável pela logística de alimentação do evento. O profissional de mercado e a bancária encontram na música uma forma de ajudar outras pessoas a rezar.

Eles são alguns dos rostos por trás da 75ª edição da Romaria de Fátima, que iniciou sua novena no dia 2 de outubro. Eles representam cerca de 300 pessoas que atuam, direta ou indiretamente, de forma voluntária nas diferentes frentes necessárias para a realização do evento, que terá seu ponto alto no domingo, dia 11 de outubro. Há quem esteja na cozinha, quem prepare e sirva alimentos, quem organize equipes, quem receba os romeiros, quem auxilie os padres, quem cuide dos espaços, quem trabalhe na música e quem ajude no estacionamento e na vigilância. Há quem doa flores e ornamenta a imagem e os altares, quem é responsável pelos serviços de secretaria e contabilidade, quem cuide das lembranças religiosas, quem recepciona fiéis para o atendimento às confissões, quem cuida da comunicação e mídia. Há também quem atua no cuidado das crianças, quem orienta a procissão, quem auxilia nas coletas dos fiéis… Também há quem simplesmente esteja disponível para aquilo que precisar ser feito.

Para Gilmara, que chegou a Erechim há nove anos e há cinco participa das atividades do Santuário de Fátima, a Romaria muda até aquilo que, na rotina, não costuma ser tão fácil. “Eu não gosto de acordar cedo. Mas, durante esses dias, levantar antes do habitual ganha outro significado e eu faço com gosto. É o horário necessário para estar no Santuário, participar das celebrações e acolher quem chega para rezar.”

A contadora procura fazer desse encontro uma experiência de acolhimento. Afinal, foi também assim que ela se sentiu quando chegou ao Santuário. “Eu procuro acolher bem as pessoas, porque eu acho que hoje em dia as pessoas precisam disso: desse carinho, de se sentir acolhidas, de se sentir amadas”, destaca Gilmara, que também atua como ministra e participa de outras atividades da Igreja. Segundo ela, foi nesse serviço que encontrou uma das formas de expressar a própria fé. “Uma das coisas que mais alegra meus dias hoje é poder servir Jesus. Ainda mais aqui, na casa da Mãe Maria. Isso aqui não tem preço”, resume.

O que se ganha quando ninguém está sendo pago?

Domingos Roque Pavan conhece essa pergunta há muitos anos. Antes de assumir, ao lado da esposa  Maritânia, a coordenação do conselho de promoções do Santuário, ele já havia participado do Conselho na Catedral São José, em Erechim. Os dois acumulam 12 anos de experiência nesse trabalho na Catedral e, há quatro anos, atuam também na organização das atividades do Santuário de Fátima.

Roque lembra que, durante muito tempo, quando alguém perguntava o que ganhavam com aquele trabalho, a resposta era simples: "nada". Hoje, pensa diferente. “Essa história de que não se ganha nada foi a maior mentira que eu já respondi. A gente ganha, sim. E ganha muito! Se ganha aquilo que o dinheiro jamais poderá comprar”, afirma.

O que existe por trás dessa frase é uma experiência construída ao longo dos anos: amizades, convivência, confiança e a sensação de pertencer a um grupo. Roque e Maritânia, casados há quase três décadas, coordenam durante o ano uma equipe de cerca de 20 pessoas. Na Romaria, porém, precisam contar com uma rede muito maior de voluntários. São relações construídas em outros momentos que permitem que mais pessoas se juntem quando a demanda aumenta.

Maritânia é professora e trabalha durante o dia. Por isso, durante a Romaria, sua participação acontece principalmente à noite e nos fins de semana. Roque, como é conhecido por todos, tira os dias de férias do trabalho na universidade onde atua para se dedicar integralmente ao Santuário.

A rotina dos dois revela a dimensão de um trabalho que nem sempre aparece para quem chega apenas para participar de uma celebração. Há insumos a serem calculados, alimentos a serem comprados, equipes a serem organizadas, espaços a serem preparados e refeições para atender centenas de pessoas. Para Roque, cada decisão envolve o esforço de alguém que também escolheu contribuir.

Por isso, a organização também passa pela maneira como cada voluntário é tratado. Para o casal, quem está ali não é funcionário. É alguém que decidiu oferecer o próprio tempo. “Eles não são empregados. Eles não têm uma remuneração. Mas ganham algo que só o coração sente”, resume. Para ele, o melhor pagamento está na sensação de que o tempo oferecido valeu a pena e nas relações que permanecem depois que a Romaria termina.

Maritânia percebe isso no próprio grupo. As pessoas acabam conhecendo as histórias umas das outras, sabem quando alguém não consegue comparecer, conhecem as dificuldades dos colegas e encontram maneiras de ajudar. “É uma equipe muito boa. O pessoal se envolve, se ajuda e se fortalece.” É nesse convívio que o casal encontra parte da resposta para aquilo que, durante anos, parecia ser uma pergunta sobre dinheiro.

Quando a música também ajuda a rezar

Juntos há 16 anos e casados há 5, Rafael Martini e Letícia Kessler têm na música a principal relação com a Romaria de Fátima. Ela empresta sua voz aos cantos das missas noturnas da novena. Ele participa da banda que diariamente ajuda nas celebrações. Rafael está ligado à Romaria desde 2005. Ex-seminarista, começou ajudando nas atividades do Santuário e depois passou a atuar na música. Letícia chegou mais tarde a esse trabalho específico, embora sua relação com a Igreja venha desde a infância.

Nos dias da Romaria, os dois reorganizam a própria rotina para chegar ao Santuário. Ela sai mais cedo do trabalho, busca os instrumentos e segue para a programação. Ele ajusta o expediente. O trabalho voluntário começa após a rotina profissional.

Rafael, que atua como tecladista, fala sobre a sensação de ajudar a construir algo que, para ele, é diferente de tudo o que acontece ao longo do ano. “É muito gratificante perceber que a gente está ajudando a construir esses dias tão bonitos.”

Já Letícia percebe esse significado especialmente quando a música encontra a oração. “O padre [José Carlos] Sala costuma nos dizer que a música também ajuda a rezar. E a gente percebe que as pessoas se emocionam… E a gente se emociona também”, relata.

Para os dois, a Romaria também é um grande encontro. Pessoas de diferentes comunidades, famílias que chegam juntas, crianças e jovens que participam das celebrações e voluntários que, ano após ano, acabam se conhecendo e acompanhando a caminhada uns dos outros. “A Romaria é diferente de tudo que a gente vive durante o ano. E fazer parte nos deixa felizes”, completa Rafael.

Muitas mãos, uma Romaria

Gilmara, Maritânia, Roque, Rafael e Letícia têm funções diferentes. Também têm histórias diferentes e chegam ao Santuário por caminhos diferentes. Durante a Romaria, porém, seus trabalhos se encontram.

Alguns chegam cedo para preparar o espaço. Outros permanecem até o fim das celebrações. Há quem cozinhe, quem sirva, quem organize materiais, quem acolha, quem acompanhe equipes, quem cante, quem toque, quem auxilie um padre ou quem perceba que alguma coisa precisa ser feita e simplesmente faça.

São centenas de pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, em um trabalho que começa antes de o público chegar e continua durante e após as celebrações da novena e da própria Romaria. Antes da procissão, alguém preparou o caminho. Antes da refeição, alguém calculou e preparou os alimentos. Antes da música começar, alguém ensaiou e organizou os instrumentos. Antes de um romeiro encontrar um sorriso na chegada, alguém decidiu dedicar algumas horas do próprio dia para estar ali.

É assim, no trabalho de cada um, que a Romaria de Fátima ganha forma e chega a sua 75ª edição. Nas mãos de quem cozinha, na voz de quem canta, no cuidado de quem acolhe, na organização de quem coordena e na disposição de quem está pronto para ajudar. Quando os romeiros chegam, boa parte desse trabalho já aconteceu. Antes de a Romaria ser vivida por milhares, ela é construída por centenas.
 

 

 

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