A prevenção do câncer de próstata, os fatores de risco para o desenvolvimento de tumores e a importância do acompanhamento médico ao longo da vida foram temas de uma palestra realizada na noite de terça-feira, 3 de novembro, pelo Instituto Bravora. Com o tema “Câncer de Próstata: uma jornada que começa antes do oncologista”, o encontro foi ministrado de forma online pelo oncologista clínico do Hospital São Lucas da PUCRS, em Porto Alegre, Dr. Eduardo Bischoff, e reuniu médicos de diferentes especialidades.
A proposta foi discutir não apenas o tratamento do câncer de próstata, mas também os cuidados que antecedem o diagnóstico, incluindo prevenção, rastreamento, hábitos de vida e promoção da saúde masculina. A programação também abordou as diferentes etapas do atendimento ao paciente, desde a avaliação urológica até as possibilidades de tratamento, como cirurgia, radioterapia e terapia sistêmica.
Resistência masculina à procura por atendimento médico
Segundo o Dr. Eduardo, a resistência dos homens em procurar atendimento médico ainda é um dos principais desafios. “A gente vai conversar sobre câncer de próstata, mas também vai pincelar questões de rastreamento, fatores de risco, cuidados no dia a dia, na vida e conversar de forma bem aberta e franca com todos os colegas de diversas especialidades sobre o desafio que é convencer o homem a se cuidar”, explicou.
O médico considera o Novembro Azul uma oportunidade para ampliar o debate sobre prevenção. Com 11 anos de atuação na área, ele relata que ainda encontra pacientes que nunca haviam consultado um médico antes de chegar ao atendimento oncológico. “A gente tem muito a aprender com o Outubro Rosa, no que diz respeito aos cuidados com a saúde. Eu estou há 11 anos nessa área, vejo uma evolução, mas é lenta. Eu tenho vários pacientes homens em que eu sou o primeiro médico da vida dele. Eu ainda vejo o Novembro Azul como uma grande oportunidade para promover a prevenção e a saúde do homem”, afirmou.
A importância do acompanhamento médico ao longo da vida
Para Dr. Eduardo, o acompanhamento médico não deve começar apenas quando surgem sintomas ou quando chega a idade para discutir o rastreamento do câncer de próstata. Ele defende que os homens tenham um profissional de referência desde jovens, seja médico de família, clínico geral, urologista ou oncologista. A proposta é manter consultas regulares, avaliar a saúde de forma ampla e solicitar exames quando houver indicação.
Entre os fatores de risco modificáveis, o oncologista citou tabagismo, consumo de álcool, sedentarismo, excesso de peso e alimentação inadequada. Também mencionou a importância de controlar o estresse, a ansiedade e reservar tempo para a convivência familiar. “O homem tem que ter um médico para chamar de seu, especialmente depois dos 40 anos. Se tiver condições de já começar na adolescência, depois de sair do pediatra, ter um clínico de confiança, nem que seja para ter uma conversa”, orientou.
Integração entre especialidades na prevenção de tumores
A integração entre diferentes especialidades foi um dos motivos para a realização do encontro. A oncologista do Instituto Bravora, Dra. Adriana Wilk, explicou que muitos fatores associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e respiratórias também estão relacionados ao surgimento de cânceres, como obesidade, tabagismo e síndromes metabólicas. “A partir do momento que se faz a prevenção para doença cardiovascular ou para doença cardiorrespiratória, a gente também está prevenindo o desenvolvimento de tumores”, apontou.
Adriana também chamou a atenção para a necessidade de acompanhamento multidisciplinar dos pacientes oncológicos. No caso do câncer de próstata, por exemplo, muitos homens vivem por anos após o diagnóstico e podem desenvolver outras doenças durante esse período. Por isso, o trabalho conjunto entre oncologistas, urologistas, cardiologistas e profissionais de outras áreas é importante ao longo do tratamento e do acompanhamento.
Preconceito e desinformação sobre exames preventivos
A resistência masculina em relação aos exames preventivos, especialmente ao toque retal ainda é grande e para a médica, a falta de informação e os preconceitos relacionados à sexualidade ainda afastam homens dos consultórios. “Quanto mais as pessoas tiverem contato com profissionais que estejam indicando assertivamente esses procedimentos, menor vai ser a desconfiança e esses mitos vão caindo por terra”, afirmou.
A médica observa que os homens costumam demorar mais para procurar atendimento, inclusive diante de sintomas iniciais. “A mortalidade masculina é sempre maior do que a feminina, justamente porque o homem nega mais os sintomas iniciais e demora mais a procurar ajuda”, disse.
Disfunção erétil após o tratamento do câncer de próstata
As preocupações relacionadas à disfunção erétil após o tratamento do câncer de próstata também foram discutidas. Segundo Adriana, determinados procedimentos e medicamentos podem afetar a função sexual, o que leva alguns pacientes a temer as consequências do tratamento. Ela ressalta, porém, que a alteração costuma ser reversível, embora o tempo de recuperação varie conforme a idade e os procedimentos realizados. “Geralmente essa questão da disfunção erétil é reversível. Em alguns casos pode se prolongar mais e isso também depende da idade do paciente ou eventualmente dos procedimentos anteriores, como cirurgia e radioterapia”, explicou.
Avaliação urológica e conscientização no Novembro Azul
A oncologista orienta os homens a manterem consultas preventivas e esclarecerem dúvidas com profissionais de confiança. Para o câncer de próstata, recomendou procurar avaliação urológica a partir dos 50 anos, considerando a necessidade de individualizar as orientações conforme cada paciente.
A palestra integrou as atividades do Novembro Azul, campanha voltada à conscientização sobre a saúde masculina, com atenção especial aos tumores do trato geniturinário. O câncer de próstata é o tumor de maior incidência entre os homens e, segundo os profissionais, a prevenção e o acompanhamento da saúde devem fazer parte da rotina, não apenas das ações realizadas durante o mês de novembro.