A preocupação com a saúde de quem trabalha deixou há algum tempo de estar restrita à prevenção de acidentes. Saúde mental, riscos psicossociais, afastamentos, retorno ao trabalho e até a forma como as lideranças conduzem suas equipes passaram a fazer parte de uma agenda cada vez mais presente dentro das empresas.
Foi nesse cenário que a Saúde Ocupacional da Unimed Erechim realizou, na quinta-feira (17), a 4ª edição do Talk Show Saúde Ocupacional Unimed, no Anfiteatro da cooperativa. Com o tema “Os novos desafios de quem cuida de pessoas”, o encontro colocou em discussão justamente as mudanças que vêm transformando a relação entre saúde, trabalho e gestão.
A programação reuniu profissionais e representantes de empresas da região para uma manhã de atualização e troca de experiências, tendo como convidado o médico Fábio Dantas Filho, presidente da Sociedade Gaúcha de Medicina do Trabalho (SOGAMT), professor e pesquisador na área, que juntamente com a coordenadora de Saúde Ocupacional da Unimed Erechim, Dra. Jaqueline Buaes Graeff, conduziram o talk show.
A ideia do encontro foi mostrar que cuidar da saúde ocupacional significa compreender as pessoas, os ambientes em que elas trabalham e os novos fatores que podem interferir no bem-estar e na capacidade laboral.
Um dos principais assuntos abordados foi a saúde mental no trabalho, especialmente diante da crescente atenção aos riscos psicossociais. O tema também está relacionado às discussões atuais envolvendo a NR-1 e a necessidade das organizações terem um olhar mais atendo sobre os fatores que podem afetar a saúde dos trabalhadores.
A saúde ocupacional está cada vez mais conectada às decisões de gestão das empresas, envolvendo médicos e profissionais de segurança do trabalho, e lideranças e equipes de Recursos Humanos.
A discussão ganha relevância porque questões como organização do trabalho, relações interpessoais, ambiente organizacional e outros fatores psicossociais passaram a exigir maior atenção e a prevenção deixa de ser uma ação isolada e passa a fazer parte da própria gestão.
Convidado com atuação acadêmica e assistencial
Dr. Fábio Dantas Filho trouxe ao encontro a experiência acumulada em diferentes frentes da Medicina do Trabalho. Médico formado pela Universidade Federal do Ceará, possui mestrado e doutorado pela UFRGS e atua como professor, pesquisador e chefe do Serviço de Medicina Ocupacional do Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Também possui atuação acadêmica na área de Medicina do Trabalho e em pesquisas relacionadas à saúde.
Conhecimento que chega à rotina das empresas
Desde a primeira edição, realizada em 2023, o Talk Show da Saúde Ocupacional da Unimed Erechim tem como característica aproximar especialistas e empresas para discutir situações que fazem parte do cotidiano corporativo. Na quarta edição, a proposta avançou para uma discussão ainda mais abrangente. Quem cuida de pessoas também precisa estar preparado para lidar com as mudanças no mundo do trabalho.
“Ambientes saudáveis podem contribuir para maior produtividade”
A CEO de Operadora de Planos de Saúde e Mercado da Unimed Erechim, Adriane Biasi Machiavelli, ressalta que a saúde mental passou a ocupar papel central na saúde ocupacional. “Durante muito tempo, quando falávamos em saúde ocupacional, nosso olhar estava muito concentrado na prevenção de acidentes, nos exames ocupacionais e no cumprimento das obrigações legais. Tudo isso continua sendo fundamental. Mas o mundo do trabalho mudou. Hoje, falar em saúde dentro significa também falar de saúde mental, riscos psicossociais, prevenção, produtividade, liderança e qualidade das relações no ambiente profissional. E talvez por isso Saúde Ocupacional hoje faz parte da estratégia das organizações”.
Para a CEO, o cuidado com os colaboradores está diretamente ligado à sustentabilidade das empresas: “Ambientes saudáveis contribuem para redução de afastamentos, maior produtividade, melhor clima organizacional, estando diretamente relacionados a resultados.
Sobre a atualização da NR-1, ela afirma que a Unimed vem intensificando ações relacionadas à saúde mental e aos riscos psicossociais: “esse cuidado representa uma estratégia permanente de valorização das pessoas. Colaboradores saudáveis conseguem contribuir de forma mais efetiva para os resultados e objetivos das organizações”, finalizou Adriane.
“As empresas precisam olhar o trabalhador de forma integral”
A coordenadora de Saúde Ocupacional da Unimed Erechim, Dra. Jaqueline Buaes Graeff, relatou que a saúde mental é tão importante quanto a física para garantir um ambiente de trabalho saudável: “as empresas precisam olhar o trabalhador de forma integral, investindo em qualidade de vida, segurança e condições adequadas de trabalho”, sublinhou.
Ela observa que a atualização da NR-1 tem contribuído para uma mudança de cultura nas organizações, tornando mais efetivo o olhar sobre os riscos psicossociais: “o investimento em saúde mental também reduz custos relacionados a afastamentos, absenteísmo e adoecimentos”.
Citou que mais de 500 mil afastamentos no Brasil, em 2025, relacionados a transtornos mentais: “mas esses números podem ser ainda maiores devido à subnotificação e ao medo de alguns trabalhadores de perder o emprego”, salienta Dra. Jaqueline.
Na avaliação dela, o Brasil ainda vive uma fase de conscientização e mudança cultural, e os resultados dessas ações deverão aparecer gradualmente.
“O trabalho colegiado que irá dar conta de demandas tão complexas”
O médico Fábio Dantas Filho, palestrante convidado para o talk show, frisou a necessidade de aumentar o espaço de debate sobre saúde mental no ambiente de trabalho: “É necessário buscar estratégias práticas que envolvam diferentes especialidades e áreas do conhecimento”.
Ressaltou que os riscos psicossociais exigem uma atuação integrada dentro das empresas: “Embora a legislação determine o levantamento desses fatores de risco, a questão não pode ficar restrita às áreas técnicas. Lideranças, engenharia de segurança, psicologia organizacional e assistência social, entre outros setores, precisam atuar de forma conjunta para enfrentar demandas complexas relacionadas à saúde dos trabalhadores. Por isso defendo que o trabalho colegiado que irá dar conta de demandas tão complexas”, finalizou Dr. Fábio.