Ocorreu na quarta-feira, dia 16, no Salão Paroquial da Igreja São Pedro, a palestra “Fibromialgia e o Impacto Social”, em alusão ao Setembro Amarelo, promovida pelo FibroVida que é um Grupo de pessoas com Fibromialgia de Erechim. O encontro reuniu integrantes do grupo, familiares, profissionais da saúde, entre eles a psicóloga Raieli dos Anjos Longo, a médica ortopedista Nayara de Farias e o secretário municipal da Saúde, Vianei Muller.
A programação abordou os efeitos da fibromialgia na saúde mental, na rotina e nas relações pessoais e sociais de quem convive com a doença. Durante o encontro, Vianei falou sobre a relação entre o grupo e a Secretaria Municipal da Saúde e apresentou serviços oferecidos pelo município por meio do programa de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS). Entre os atendimentos estão auriculoterapia, acupuntura e dança circular. Segundo o secretário, o município também prevê a oferta de Pilates e Yoga.
A psicóloga Raieli tratou dos impactos emocionais e psicológicos, incluindo alterações na autoestima, na convivência familiar e na vida social, além da importância do acolhimento e da rede de apoio.
Para Raieli, ações, palestras e eventos voltados à disseminação de informações sobre saúde prestam um serviço relevante à comunidade. Ela observa que representações artísticas, músicas, novelas e conteúdos nas redes sociais ajudam a dar visibilidade a diferentes temas, mas ressalta a importância de que as informações sejam adequadas e responsáveis, além de validadas por um profissional de referência e confiança do paciente. Segundo ela, cada orientação precisa considerar as particularidades de quem está em sofrimento.
No caso da fibromialgia e de outros quadros de dor crônica, a psicóloga explica que é necessário considerar diferentes aspectos da vida do paciente, como qualidade de vida, rede de apoio, adesão aos tratamentos e resposta às intervenções. Para ela, não existe uma fórmula única de cuidado, por isso, a disseminação de informações deve ser entendida como complementar ao acompanhamento clínico, que continua sendo necessário.
Raieli também aponta que a validação e a sensação de ser visto e compreendido têm papel importante na saúde mental. Nesse contexto, ela considera que iniciativas coletivas voltadas a dar visibilidade a uma queixa muitas vezes invisível podem contribuir para os pacientes e devem contar com apoio de políticas públicas.
“Dados apontam que a dor crônica é um dos maiores desreguladores de humor, e dessa forma, é uma preocupação de saúde mental, inclusive quando estamos falando de preservação da vida. Precisamos olhar com carinho e atenção a esses pacientes na sua integralidade, cuidar do corpo, mente, racionamentos e espiritualidade”, salienta a psicóloga.
A médica Nayara apresentou aspectos clínicos da fibromialgia, como a variedade de sintomas e a complexidade do diagnóstico e do tratamento. Também foi discutida a necessidade de acompanhamento profissional e de uma abordagem multidisciplinar para pessoas com dor crônica.
Eventos como esse têm papel importante na divulgação de informações sobre a fibromialgia e no combate ao preconceito relacionado à doença. Segundo Nayara, “muitas vezes, por não haver uma alteração visível nos exames, a dor do paciente é questionada ou desvalorizada. A informação ajuda a sociedade a compreender que a fibromialgia é uma condição real, que pode causar um impacto importante na vida do paciente e que merece diagnóstico, tratamento e acolhimento adequados”, afirma.
A médica explica que os efeitos da fibromialgia vão além da dor física e podem comprometer o sono, a disposição, a concentração, o trabalho, os relacionamentos e atividades cotidianas. A intensidade da dor, segundo ela, é uma experiência individual e não está necessariamente relacionada ao que pode ser identificado em exames. Nesse contexto, ouvir e acolher o paciente também faz parte do tratamento.
Embora não tenha cura definitiva, a fibromialgia pode ser controlada com estratégias voltadas à redução dos sintomas e à melhora da qualidade de vida. O tratamento é individualizado e pode incluir atividade física orientada, educação sobre a doença, cuidados com o sono, acompanhamento psicológico, quando necessário, e medicamentos específicos para alguns pacientes. “O mais importante é uma abordagem multidisciplinar e contínua, buscando reduzir a dor, recuperar a funcionalidade e devolver qualidade de vida ao paciente”, finaliza Nayara.