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Economia

Mulheres rurais: a força que alimenta o Alto Uruguai e transforma o campo

Na região de Erechim, iniciativas de formação e organização buscam ampliar a autonomia, o reconhecimento e as oportunidades para as agricultoras

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Por Carlos Silveira
Foto Ilustrativa

 

 A força da agricultura do Alto Uruguai também tem rosto de mulher. Nas pequenas propriedades familiares, nas lavouras, na produção de leite, nas hortas, na criação de animais e na agroindustrialização de alimentos, milhares de atividades cotidianas dependem da dedicação feminina.

Muitas vezes, esse trabalho acontece ao lado das responsabilidades domésticas e familiares, compondo uma rotina que exige conhecimento, resistência e capacidade de organização.

 Neste 15 de outubro, Dia Internacional das Mulheres Rurais, o reconhecimento vai além de uma homenagem. A data convida a sociedade a refletir sobre a contribuição das agricultoras para a economia, a segurança alimentar, a sustentabilidade e a continuidade das propriedades rurais, além dos desafios que ainda enfrentam para conquistar maior autonomia econômica e participação nas decisões.

 Instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995, a celebração valoriza as mulheres que vivem e trabalham no campo, nas águas e nas florestas. Seu papel está diretamente relacionado à produção de alimentos, à preservação dos conhecimentos tradicionais, à conservação da biodiversidade e ao desenvolvimento das comunidades rurais.

Agricultura familiar: uma base da economia gaúcha

 No Rio Grande do Sul, a agricultura familiar ocupa posição central na organização do meio rural. Dados do Censo Agropecuário de 2017, divulgados pelo IBGE e utilizados em estudos do governo estadual, identificaram 365.094 estabelecimentos agropecuários no Estado. Desse total, 293.892 eram classificados como estabelecimentos de agricultura familiar, o equivalente a 80,5%.

 O levantamento também apontou que 35.851 estabelecimentos de agricultura familiar gaúchos eram dirigidos por mulheres, correspondendo a 12,2% desse conjunto. Os números demonstram a presença feminina na gestão das propriedades, mas também revelam espaço para avançar no reconhecimento das agricultoras como responsáveis pela produção e pelas decisões econômicas do campo.

 Outro dado importante é a participação da agricultura familiar na ocupação rural. Conforme indicadores estaduais apresentados em 2026 com base no Censo Agropecuário, o segmento responde por 72,2% das pessoas ocupadas na agropecuária gaúcha.

Alto Uruguai: protagonismo que se constrói nas comunidades

 No Alto Uruguai, onde a agricultura familiar tem forte presença, a participação feminina aparece tanto nas atividades produtivas quanto na organização comunitária. As mulheres contribuem para a administração das propriedades, o planejamento das atividades, a produção de alimentos, a comercialização e a busca por alternativas de renda.

 Em muitos casos, também são responsáveis por organizar a participação da família em cooperativas, associações, grupos comunitários e iniciativas de formação. Essa atuação fortalece os vínculos entre as propriedades e amplia as possibilidades de cooperação.

 Em Erechim, a valorização desse protagonismo possui uma trajetória consolidada. Em março de 2026, o município realizou o 29º Encontro da Mulher Rural Erechinense, na Comunidade São Roque. A programação reuniu agricultoras para momentos de integração, informação e reflexão, com atividades voltadas à igualdade entre mulheres e homens e à saúde emocional.

 A iniciativa foi promovida pela Emater/RS-Ascar, em parceria com a Prefeitura de Erechim, por meio da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar, e com o apoio da Associação Mulheres Rurais Erechim.

 Além de proporcionar convivência e troca de experiências, encontros como esse fortalecem a identidade das mulheres do campo, reconhecem suas contribuições e criam oportunidades para discutir necessidades comuns. Também ajudam a aproximar as agricultoras de políticas públicas, serviços e iniciativas que podem melhorar suas condições de vida e trabalho.

Formação e autonomia para ampliar oportunidades

 A qualificação é outro caminho importante para fortalecer a presença feminina no meio rural. Em 2026, a Emater/RS-Ascar promoveu, por meio do Centro de Treinamento de Agricultores de Erechim (Cetre), a terceira edição do curso de (Des)envolvimento para Mulheres Rurais, em parceria com a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural.

A formação foi organizada em módulos que abordaram temas como autonomia e empoderamento, geração de renda, identidade da mulher rural, saúde e autocuidado, além de segurança alimentar e nutricional.

 Em julho, a Prefeitura de Erechim também participou da programação por meio da Coordenadoria da Mulher e do Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM). A atividade incluiu orientações sobre violência de gênero, prevenção e acesso à rede de proteção, ampliando o debate para além das questões estritamente produtivas.

 A iniciativa evidencia que o desenvolvimento rural também depende de condições para que as mulheres tenham acesso à informação, aos seus direitos e aos serviços de apoio. A autonomia feminina envolve renda e oportunidades econômicas, mas também segurança, saúde, participação social e reconhecimento.

 

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